Alice Maria Candido Marcondes – Médica Veterinária
A síndrome da disfunção cognitiva canina (SDCC) é um conjunto de alterações neurocomportamentais que acomete cães idosos, cujo sinais clínicos são, incialmente, mudanças de comportamento, dificuldades de aprendizagem e alterações do sono.
Esses sinais clínicos são comumente confundidos por tutores com a “síndrome do cão idoso”, que é o processo de envelhecimento comum.
Os sinais clínicos são caracterizados pela sigla DISTA (desorientação, interação, sono, treinamento e atividades). Pode-se observar na desorientação que o animal se perde dentro de um ambiente antes conhecido, como casa e quintal, podendo também encarar pontos fixos e ficar preso entre os móveis. Com relação aos relacionamentos sociais, observa-se a dificuldade de reconhecer indivíduos e familiares e o aumento ou a redução da interação com esses. Os períodos de sono são alterados, mantendo o descanso diurno invés do noturno (sono-vigília), podendo apresentar vocalização, ansiedade e inquietação durante a noite. Ao apresentar dificuldades de obedecer à comandos e treinamentos, inclui-se o urinar e defecar em locais não rotineiros. Podem apresentar agressividade e mostram-se desinteressados por atividades, interagindo pouco ou nada com objetos ou brincadeiras.
A gravidade dos sintomas varia com o progresso da síndrome, podendo apresentar sinais leves no começo. Deve-se levar em conta a idade, a saúde do animal e alterações de rotina e outros fatores que acometem o animal em idade avançada – sono profundo, desatenção e surdez. Para que o diagnóstico seja preciso, é necessária a diferenciação de comportamento por outros fatores que não sejam a SDCC (tumores, alterações ambientais, doenças hormonais). Um dos grandes desafios dessa disfunção é o diagnóstico errôneo, pois esta doença é comumente descartada ou desconhecida pelos tutores e assume-se que o paciente se encontra apenas senescente, descartando a possibilidade de alterações neurocognitivas.
O tratamento acomete desde interações medicamentosas a enriquecimento ambiental, suplementação e mudanças nutricionais. O acompanhamento com o médico veterinário é muito importante pois é uma fase da vida onde o auxílio é essencial, o diagnóstico precoce pode melhorar o prognóstico, em defesa da qualidade de vida.


